{"id":2041,"date":"2017-03-20T06:53:42","date_gmt":"2017-03-20T06:53:42","guid":{"rendered":"http:\/\/mugwortborn.wpengine.com\/project\/episode-8-karmic-footprint\/"},"modified":"2020-10-08T12:10:36","modified_gmt":"2020-10-08T12:10:36","slug":"episode-8-karmic-footprint","status":"publish","type":"project","link":"https:\/\/mugwortborn.com\/pt-br\/project\/episode-8-karmic-footprint\/","title":{"rendered":"EPIS\u00d3DIO OITO: Pegada C\u00e1rmica"},"content":{"rendered":"<p><span lang=\"pt-BR\">Sendo seres no samsara comemos tantas coisas, farejamos tantas coisas, fazemos sexo com tantos tipos de pessoas que, mais pra frente, nunca sabemos de fato que tipo de sementes plantamos com todas as nossas a\u00e7\u00f5es. Quer saibamos ou n\u00e3o, estamos constantemente transmitindo legados, mudando mundos e deixando nossa marca.<\/span><\/p>\n<p><span lang=\"pt-BR\">H\u00e1 muito tempo, num lugar chamado<\/span> Kurtoed<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref\">[1]<\/a>, <span lang=\"pt-BR\">uma mulher estava caminhando de volta pra casa ap\u00f3s ter visitado uma fam\u00edlia enlutada. Ao cruzar uma ponte de bambu muito alta, esta desmoronou sob o seu peso. Ela caiu no rio, foi levada pela correnteza e jamais foi encontrada. Logo ap\u00f3s esta trag\u00e9dia, seu marido estava colhendo abacates quando caiu da \u00e1rvore e morreu, deixando cinco crian\u00e7as \u00f3rf\u00e3s. Este homem que havia subido no abacateiro jamais apreciara uma x\u00edcara de caf\u00e9 em sua vida, nunca lera<\/span><a href=\"http:\/\/www.newyorker.com\/magazine\/2005\/11\/21\/the-year-of-spaghetti\">\u00a0Murakami<\/a>, e <span lang=\"pt-BR\">sua esposa jamais assistira <\/span><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=Gp11bweiOA8\"><em>Don Giovanni<\/em><\/a>. <span lang=\"pt-BR\">Mal sabiam eles que dariam origem a um trisneto que aprecia muito beber caf\u00e9, l\u00ea Murakami e j\u00e1 viu<\/span><span lang=\"pt-BR\"><i> Don Giovanni<\/i><\/span><span lang=\"pt-BR\"> v\u00e1rias vezes. Esses dois foram os av\u00f3s de meu av\u00f4.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_195\" style=\"width: 910px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-195\" class=\"wp-image-195 size-full\" src=\"https:\/\/mugwortborn.wpengine.com\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/rope_bridge_by_lucieg_stock-d55m8cg.jpg\" alt=\"rope_bridge_by_lucieg_stock-d55m8cg\" width=\"900\" height=\"603\" srcset=\"https:\/\/mugwortborn.com\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/rope_bridge_by_lucieg_stock-d55m8cg.jpg 900w, https:\/\/mugwortborn.com\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/rope_bridge_by_lucieg_stock-d55m8cg-300x201.jpg 300w, https:\/\/mugwortborn.com\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/rope_bridge_by_lucieg_stock-d55m8cg-768x515.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 900px) 100vw, 900px\" \/><p id=\"caption-attachment-195\" class=\"wp-caption-text\"><em>Ela caiu<\/em><\/p><\/div>\n<p><span lang=\"pt-BR\">Uma senhora cujo nome era Ngawang tomou para si a tarefa de oferecer as crian\u00e7as \u00f3rf\u00e3s \u2013 uma das quais minha bisav\u00f3, Sonam Drolma \u2013 ao primeiro Rei do But\u00e3o. No But\u00e3o h\u00e1 o costume de se oferecer \u00f3rf\u00e3os \u00e0s institui\u00e7\u00f5es, mesmo nos dias de hoje. Muitos acabam em um mosteiro, mas estes acabaram trabalhando na resid\u00eancia real.<\/span><\/p>\n<p><span lang=\"pt-BR\">Ngawang Drolma era como uma personagem de um cl\u00e1ssico romance ingl\u00eas, uma <\/span><span lang=\"pt-BR\"><i>grande<\/i><\/span> <span lang=\"pt-BR\"><i>dame<\/i><\/span><span lang=\"pt-BR\">, a senhora de um <\/span>thromde<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref\">[2]<\/a>, <span lang=\"pt-BR\">poderos\u00edssima. Algu\u00e9m realmente deveria escrever um livro sobre a din\u00e2mica familiar Butanesa. Convenientemente para ela, tamb\u00e9m havia uma tradi\u00e7\u00e3o no But\u00e3o segundo a qual na aus\u00eancia de um adulto para cuidar de uma casa a propriedade era incorporada por outra fam\u00edlia.<\/span><\/p>\n<p><span lang=\"pt-BR\">Kurtoed \u00e9 um local raramente visitado do distrito de Lhuntse, embora naquela \u00e9poca fosse um centro pol\u00edtico e econ\u00f4mico devido a sua proximidade com a fronteira com o Tibete no extremo noroeste. Era uma das prov\u00edncias originais do But\u00e3o. Muitos de nossos l\u00edderes passados s\u00e3o de l\u00e1. Nos meus documentos consta que nasci em Kurtoed, pois quase ningu\u00e9m sabe da exist\u00eancia de meu verdadeiro local de nascimento, o vale oculto da Artem\u00edsia, Khenpajong.<\/span><\/p>\n<p><span lang=\"pt-BR\">Ser de Kurtoed naquela \u00e9poca era como ser de uma cidade muito rica, como Hamburgo, ou um centro cosmopolita, como Londres, devido ao seu acesso ao Tibete. No entanto, l\u00e1 eles falavam sua pr\u00f3pria l\u00edngua, o kurtoepa[3], que aos meus ouvidos \u2013 talvez por influ\u00eancia de minhas mem\u00f3rias de inf\u00e2ncia \u2013 \u00e9 a mais cantada e mel\u00f3dica das l\u00ednguas. As garotas kurtoepa s\u00e3o consideradas bonitas e um bom partido; acho que de alguma forma isso se deve \u00e0 linguagem. Algo de que recordo bem sobre os kurtapas s\u00e3o os pratos butaneses cl\u00e1ssicos como o <\/span><em style=\"font-size: inherit;\">ezay<\/em><a style=\"font-size: inherit;\" href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref\">[4]<\/a><span style=\"font-size: inherit;\"> e o <\/span><em style=\"font-size: inherit;\">hogay<\/em><a style=\"font-size: inherit;\" href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref\">[5]<\/a><span style=\"font-size: inherit;\">. <\/span><span lang=\"pt-BR\">Quando preparados pelas m\u00e3os de um kurtoepa, especialmente homens e mulheres de meia-idade, s\u00e3o pratos extraordin\u00e1rios. Em minhas visitas ocasionais ao But\u00e3o sempre fa\u00e7o quest\u00e3o de visitar minha tia Dorji Yangki, que \u00e9 uma excelente cozinheira kurtoepa.<\/span><\/p>\n<p><span lang=\"pt-BR\">N\u00e3o cresci em Kurtoed, mas os kurtoepas que acompanhavam minha fam\u00edlia falavam sem parar das gl\u00f3rias de Kurtoed, assim o lugar me \u00e9 de certa forma familiar. Sempre se falava de duas grandes fam\u00edlias kurtoepa: os Roolings e os Thunpes. Eles viviam em um <\/span><span lang=\"pt-BR\"><i>naksthang<\/i><\/span><span lang=\"pt-BR\">, um tipo de <\/span><span lang=\"pt-BR\"><i>chateau<\/i><\/span><span lang=\"pt-BR\"> ou mans\u00e3o butanesa, que as pessoas descreviam como se fossem os grandes castelos da Europa. Havia uma casa chamada Dungkar Chhoejey o lar ancestral da atual fam\u00edlia real. Em cada casa trabalhavam servi\u00e7ais que eram, basicamente, propriedade dos donos da casa, pessoas como minha av\u00f3. Res\u00edduos dessa cultura de servilismo ainda existem no But\u00e3o de hoje, o que \u00e9 muito triste; eles parecem ter dificuldade em se livrar desse h\u00e1bito.<\/span><\/p>\n<p><span lang=\"pt-BR\">Quando Ngawang Drolma interveio no caso dos \u00f3rf\u00e3os, Kurtoed estava em seu \u00e1pice hist\u00f3rico. Minha bisav\u00f3 era a mais velha dos cinco \u00f3rf\u00e3os e, por ser muito esperta e capaz de desempenhar v\u00e1rias tarefas por todo o pal\u00e1cio, tornou-se parte do c\u00edrculo \u00edntimo da fam\u00edlia real. E foi assim que ela terminou gr\u00e1vida de um beb\u00ea de sangue real; nunca saberemos exatamente quem foi o pai. Essa crian\u00e7a era meu av\u00f4, Lama Sonam Zangpo.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_188\" style=\"width: 1452px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-188\" class=\"wp-image-188 size-full\" src=\"https:\/\/mugwortborn.wpengine.com\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/Sir_Ugyen_Wangchuk_and_his_family_1905.jpg\" alt=\"Sir Ugyen Wangchuk and his family, 1905\" width=\"1442\" height=\"1199\" srcset=\"https:\/\/mugwortborn.com\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/Sir_Ugyen_Wangchuk_and_his_family_1905.jpg 1442w, https:\/\/mugwortborn.com\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/Sir_Ugyen_Wangchuk_and_his_family_1905-300x249.jpg 300w, https:\/\/mugwortborn.com\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/Sir_Ugyen_Wangchuk_and_his_family_1905-768x639.jpg 768w, https:\/\/mugwortborn.com\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/Sir_Ugyen_Wangchuk_and_his_family_1905-1024x851.jpg 1024w, https:\/\/mugwortborn.com\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/Sir_Ugyen_Wangchuk_and_his_family_1905-1080x898.jpg 1080w\" sizes=\"(max-width: 1442px) 100vw, 1442px\" \/><p id=\"caption-attachment-188\" class=\"wp-caption-text\"><em>Sir Ugyen Wangchuk e sua fam\u00edlia, 1905<\/em><\/p><\/div>\n<p><span lang=\"pt-BR\">Os tibetanos e butaneses n\u00e3o t\u00eam por h\u00e1bito manter registros familiares. Por isso, a maior parte das datas hist\u00f3ricas se baseia em boatos e os fatos s\u00e3o indistintos. Quando se perguntava a algu\u00e9m quando havia nascido, em geral a resposta era algo como &#8220;no ano do macaco&#8221; ou de algum outro animal astrol\u00f3gico do calend\u00e1rio lunar, e a\u00ed quem perguntava precisava adivinhar a idade da pessoa baseada na sua apar\u00eancia \u2013 se ela aparentasse ter uns 40 anos, pressupunha-se que teria nascido quatro anos do macaco atr\u00e1s. Outros poderiam mencionar as esta\u00e7\u00f5es do ano ou ocasi\u00f5es especiais em resposta \u00e0 pergunta da data de nascimento. Poderiam<!-- poder-se-ia dizer\n\n --><!-- Considerando o tom informal do original acho que \u201cpoderiam\u201d \u00e9 melhor\n --> dizer &#8220;Nasci h\u00e1 dez primaveras&#8221; ou &#8220;Nasci no ano antes de a floresta pegar fogo.&#8221;<\/span><\/p>\n<p><span lang=\"pt-BR\">At\u00e9 recentemente, com a chegada da globaliza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o t\u00ednhamos o h\u00e1bito de comemorar anivers\u00e1rios no But\u00e3o. No entanto, ouvi dizer que atualmente se promovem festas onde as elites vestem at\u00e9 smokings e encomendam bolos de Bangkok. \u00c9 festa que n\u00e3o acaba mais.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_193\" style=\"width: 3470px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-193\" class=\"wp-image-193 size-full\" src=\"https:\/\/mugwortborn.wpengine.com\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/025.jpg\" alt=\"Gemini ready to travel\" width=\"3460\" height=\"2387\" srcset=\"https:\/\/mugwortborn.com\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/025.jpg 3460w, https:\/\/mugwortborn.com\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/025-300x207.jpg 300w, https:\/\/mugwortborn.com\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/025-768x530.jpg 768w, https:\/\/mugwortborn.com\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/025-1024x706.jpg 1024w, https:\/\/mugwortborn.com\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/025-1080x745.jpg 1080w\" sizes=\"(max-width: 3460px) 100vw, 3460px\" \/><p id=\"caption-attachment-193\" class=\"wp-caption-text\"><em><span lang=\"pt-BR\"><i>Geminiano pronto para viajar<\/i><\/span><\/em><\/p><\/div>\n<p><span lang=\"pt-BR\">Eu mesmo s\u00f3 fiquei sabendo a minha data de nascimento exata por volta dos 20 anos, quando precisei tirar o passaporte. Confiando na mem\u00f3ria das minhas tias e dos disc\u00edpulos de meu av\u00f4 e outros atendentes, conclu\u00edmos que teria sido em junho. At\u00e9 ent\u00e3o, sempre pensara que provavelmente tivesse nascido em julho, por causa de algo que minha m\u00e3e me dissera. Cheguei at\u00e9 a fazer um mapa astral completo como sendo do signo de c\u00e2ncer que me pareceu absolutamente preciso. Astrologia \u00e9 assim mesmo. No entanto, creio que tenha sido um equ\u00edvoco de comunica\u00e7\u00e3o devido \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o de dois tipos de calend\u00e1rio diferentes, cada um com um n\u00famero diferente de meses.<\/span><\/p>\n<p><span lang=\"pt-BR\">Ent\u00e3o, quando ouvimos falar que meu av\u00f4 nasceu em Kurtoed, no ano da cobra de \u00e1gua, e que sua m\u00e3e, Sonam Drolma, o manteve em segredo por tr\u00eas anos, e que em seguida, aos 8 anos, foi ordenado monge no mosteiro de Talu, ou que aos 16 anos ele teria ido a p\u00e9 para o Tibete, \u00e9 preciso dar um desconto para a precis\u00e3o desses n\u00fameros.<\/span><\/p>\n<p><span lang=\"pt-BR\">Talvez algu\u00e9m pudesse pensar que Sonam Drolma manteve o filho escondido por todos esses anos por ele ser um bastardo nascido de uma rela\u00e7\u00e3o extraconjugal. Entretanto isso n\u00e3o era nada de mais<!-- Excelente saber, obrigado; sempre escrevi errado \ud83d\ude0a \n --> no But\u00e3o. Havia um risco muito maior do que meramente ter a reputa\u00e7\u00e3o manchada. Quando eu era crian\u00e7a, me advertiam repetidamente, quase todos os dias, a jamais comer comida vinda de certas fam\u00edlias nem me aproximar de certas figuras. Os atendentes de meu av\u00f4 sussurravam e se escondiam quando certas pessoas se aproximavam. Muito mais tarde, me disseram a raz\u00e3o. Houvera in\u00fameros casos de envenenamento no But\u00e3o naquela \u00e9poca, especialmente no leste, porque as pessoas acreditavam que matando algu\u00e9m por envenenamento era poss\u00edvel se receber as qualidades do falecido. Ent\u00e3o \u00e9 mais prov\u00e1vel que Sonam Drolma temesse que o menino pudesse ser envenenado caso a verdade sobre sua paternidade real fosse revelada.<\/span><\/p>\n<p><span lang=\"pt-BR\">Havia, e ainda h\u00e1, quem deliberadamente envenene os nascidos em fam\u00edlias mais abastadas, especialmente beb\u00eas indefesos. Esses beb\u00eas det\u00e9m um certo poder, mas n\u00e3o t\u00eam meios para se defender. Alguns desses feiticeiros tinham a capacidade de roubar poder com um simples olhar e outros tinham um toque venenoso espec\u00edfico. Algumas dessas fam\u00edlias ainda existem no But\u00e3o oriental e sofrem de exclus\u00e3o social. Esse fen\u00f4meno todo das bruxas e dos feiticeiros vem desaparecendo conforme o mundo vai se tornando mais materialista.<\/span><\/p>\n<p><span lang=\"pt-BR\">Kurtoed tamb\u00e9m vem desaparecendo. Quase toda a elite kurtapa agora se mudou para locais como Thimpu; restam poucos, se algum, dos senhores e senhoras dos <\/span><span lang=\"pt-BR\"><i>chateaus<\/i><\/span><span lang=\"pt-BR\">. Fui a Kurtoed quando tinha 30 e poucos anos para visitar a aldeia de meu av\u00f4. Estava ansioso por finalmente ver o grande naktshang dos Roolings e dos Thunpes. Por anos, imaginei algo compar\u00e1vel \u00e0s propriedades descritas nos romances, algo do tipo um Netherfield dos Bingleys ou o Longbourn dos Bennets, em <\/span><span lang=\"pt-BR\"><i>Orgulho e Preconceito<\/i><\/span><span lang=\"pt-BR\">.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_192\" style=\"width: 574px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-192\" class=\"wp-image-192 size-full\" src=\"https:\/\/mugwortborn.wpengine.com\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/395de7b918c6a3afaac07d18006d6bb3.jpg\" alt=\"English Manor House\" width=\"564\" height=\"422\" srcset=\"https:\/\/mugwortborn.com\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/395de7b918c6a3afaac07d18006d6bb3.jpg 564w, https:\/\/mugwortborn.com\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/395de7b918c6a3afaac07d18006d6bb3-300x224.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 564px) 100vw, 564px\" \/><p id=\"caption-attachment-192\" class=\"wp-caption-text\"><em>Mans\u00e3o Inglesa<\/em><\/p><\/div>\n<p><span lang=\"pt-BR\">Para minha grande decep\u00e7\u00e3o, o naktshang afinal eram s\u00f3 <!-- n\u00e3o passava de \n --><!-- ambos soam bem\n -->duas casas, uma colada na outra. N\u00e3o havia qualquer sinal de gl\u00f3ria. Fiquei me perguntando sobre essas hist\u00f3rias que eu costumava ouvir sobre Kurtoed.<\/span><\/p>\n<p><span lang=\"pt-BR\">Tal como disse o Buda, tudo o que se empilha h\u00e1 de desmoronar, tudo o que se re\u00fane h\u00e1 de se fragmentar, tudo o que nasce h\u00e1 de morrer. Eu diria que Kurtoed reflete essas verdades. O que n\u00e3o impede as pessoas de se apegarem \u00e0s suas mem\u00f3rias.<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p><a href=\"#_ftnref\" name=\"_ftn1\">[1] <\/a><span lang=\"pt-BR\">Kurtoed, pronunciada \u201cker-tou\u201d, tamb\u00e9m se escreve Kurtoe e de v\u00e1rias outras formas em diferentes mapas. <\/span><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref\" name=\"_ftn1\">[2]<\/a> <span lang=\"pt-BR\">Escreve-se Kurtoep em Dzongkha ou Kurtoepa Sharchhop<\/span>.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref\" name=\"_ftn1\">[3]<\/a>\u00a0<span lang=\"pt-BR\">Um <\/span><span lang=\"pt-BR\"><i>thromde<\/i><\/span><span lang=\"pt-BR\"> \u00e9 uma divis\u00e3o administrativa de terceiro n\u00edvel no But\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref\" name=\"_ftn2\">[4]<\/a> Ezay\u00a0<span lang=\"pt-BR\">\u00e9 um popular molho de pimenta<\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-191 size-medium alignnone\" src=\"https:\/\/mugwortborn.com\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/yeewong-magazine-25-1024x683-300x200.jpg\" alt=\"yeewong-magazine-25-1024x683\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/mugwortborn.com\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/yeewong-magazine-25-1024x683-300x200.jpg 300w, https:\/\/mugwortborn.com\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/yeewong-magazine-25-1024x683-768x512.jpg 768w, https:\/\/mugwortborn.com\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/yeewong-magazine-25-1024x683.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref\" name=\"_ftn3\">[5]<\/a> Hogay <span lang=\"pt-BR\">\u00e9 uma salada de pepino com piment\u00e3o, queijo e pimenta Szechuan.<\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-190 size-medium\" src=\"https:\/\/mugwortborn.com\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/75a4321-1-300x200.jpg\" alt=\"75a4321\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/mugwortborn.com\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/75a4321-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/mugwortborn.com\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/75a4321-1.jpg 750w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sendo seres no samsara comemos tantas coisas, farejamos tantas coisas, fazemos sexo com tantos tipos de pessoas que, mais pra frente, nunca sabemos de fato que tipo de sementes plantamos com todas as nossas a\u00e7\u00f5es. 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